A STB – Reabilitação do Património, ganhou recentemente o processo de concurso público respeitante à empreitada “Obra de Recuperação e Manutenção do Edifício da antiga Cadeia da Relação do Porto (actual Centro Português de Fotografia). Esta empreitada terá início brevemente e tem um prazo de execução de 300 dias. Da empreitada fazem parte trabalhos tanto no exterior como no interior do edifício. No exterior, os trabalhos repartem-se pela revisão das coberturas, claraboias, conservação e restauro dos elementos pétreos das fachadas (pedra), rebocos, vãos de madeira e metal das janelas. Quanto ao interior, os trabalhos incidem no tratamento de rebocos, limpeza e pintura de paramentos, conservação e restauro de estuques e limpeza de pedra.

O edifício onde se encontra instalado o Centro Português de Fotografia, também conhecido como “Cadeia da Relação” começou a ser construído em 1767, sob risco do arquitecto da Lisboa pombalina Eugénio dos Santos e Carvalho, sensivelmente no mesmo lugar onde, no início do séc. XVII, se haviam erguido as primeiras instalações para a Relação e Casa do Porto. O grandioso imóvel, cuja construção durou quase trinta anos, erguido entre o casario, paredes meias com o convento de S. Bento da Vitória e fronteiro à Porta do Olival, veio a alojar o Tribunal e a Cadeia da Relação. A área disponível da edificação, detentora de uma curiosa planta trapezoidal, foi repartida de forma quase equitativa entre Tribunal e Cadeia, sendo que as instalações do Tribunal foram alvo de cuidados acabamentos, ainda hoje visíveis em diversos pormenores construtivos.

No espaço destinado à Cadeia os planos obedeceram às concepções punitivas que vigoravam ao tempo, sendo evidentes as preocupações com a segurança nas grossas paredes de granito, nas grades duplas do piso térreo, nas portas chapeadas a ferro, etc. Na Cadeia da Relação estiveram detidas figuras portuguesas conhecidas do séc. XIX, desde políticos caídos em desgraça, revolucionários, ladrões, etc.  Entre outros destacam-se Camilo Castelo Branco, Ana Plácido e Zé do Telhado.


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